segunda-feira, 21 de junho de 2010

Valley

Tão denso
Tão verde, só de forestas frescas e verdes
Grama torta e grama verde!
Lá embaixo a casa vermelha, o destino da saprófaga
Lugar onde as minhocas crescem, onde o teclado efetua
De lá ouvem-se as correntes batendo, querendo fugir
Uma tesoura mal guardada, aquela que estragou o rumo da jovem
Aquela garota que perdeu o ônibus e quis desvendar um mistério

Dr. Frankenstein

Francamente, agora eu quero ouvir você falar! Eu quero que me conte como é nascer adulto e ser tão vivo! Você e seu exército de pedaços bombeantes de sangue para cabeça turbilhada... Grande homem! É tempo de viver. Viva! O futuro te invejará, minha grande máquina de idéias. Meu menino!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SHOOTA ORCA

Orca delirante, limpa de tudo que é malicioso
Me saqueou pro mar fundo e me afogou de sal,
Eu digo, o doce de seus dentes tem gosto de cachaça
Marinheira tônica, bar de esquina, mamífera de gaveta
Lá veio e me virou o olho vivo, não atirei
Quem um dia já velejou ali não a viu, eu esclareço
Se a pergunta também não quer entrar no mar
Te aconselho, marinheiro, deixe-a navegar

terça-feira, 15 de junho de 2010

Demarca

Te digo que derramei minha mente sobre o tapete terrestre. É a única coisa que te digo. Não quero que você veja ela secando debaixo do vermelho do céu ou diluindo-se nas águas sujas. Você pouco quer ver isso também. As perfeições são as coisas que te facinam. E eu apenas canto. Eu canto de canto em canto. Canto para um mundo que me encanta. E você, você me escuta? Tire a terra da boca e vá para um canto.

Inspirado no conto "As Aventuras de Marta" de Luiz Henrique Budant.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Improdutivo

"Quando nossa liberdade parecia idealizada, eu ouvi seu pedido de limite. Sua voz fez eco no meu ouvido, parecia nunca parar de soar, e minha raiva ecoou igual sob meu corpo.
Será que minha realidade se desmentia? Nossa realidade."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Dentro de casa

"A noite solidifica o ser amolecido pelo sol diário. A lua o compacta de forma tão repentina que seus pensamentos condensam na forma abstrada."

Rotina

Um animal enxerga todo o silêncio da rua e nada pode falar. Ele brilha com a luz da lua, mas não conta a verdade.
Do outro lado da rua, a velhinha da casa 38 explica aos netos a coisa feia que é roubar e os põem na cama.
O animal enxerga a velha desligando uma luz e não conta a verdade.
A velha enxerga o animal e lembra que precisa comprar leite no dia seguinte.
O sol sobe.
A velha veste seu suéter amarelo e caminha rumo ao mercado.
As portas do mercado esquentam ao sol diário.
A velha recebe cinco centavos de troco.
Cinco cachorros da esquina da rua lembram que é hora de abrir os sacos de lixo.
A velha desvia os cinco e grita com a sujeira orgânica da rua.
O animal enxerga os cinco cachorros olhando o leite e não conta a verdade.
Os três netos esperam a velhinha sentados no sofá de casa enquanto assistem desenho animado.
O sol desce.
A velha prepara uma sopa para os netos e eles adoram.
Os cinco cachorros da esquina da rua sentem o cheiro salgado e lembram que já abriram os sacos de lixo.
O animal dali enxerga os cinco cachorros e a casa 38.
A velha assiste seu programa de televisão favorito e põe seus netos na cama.
A velha apaga as luzes e enxerga o animal sentado e lembra que precisa escovar os dentes.
O animal enxerga o silêncio da rua. Ele visualiza a lua e brilha.
Mas não pode falar. O animal não pode contar a verdade.

domingo, 6 de junho de 2010

Palavras Inflamadas

Pus em ordem

Extramental Extraterreno Experimental

"- Próxima parada: Planeta Terra. Quero que todos apertem os cintos! Apertem forte!"

Meu verniz

Já refiz! Não te quero, já te quis.
Eu não fiz, eu não quis, eu bati a mão e refiz!
Fiz, ouvi, não reli, eu menti!
Só quis, só quis, só quis e eu menti.